segunda-feira, 28 de junho de 2010

Crônica.

No filme "Up" dos estúdios Disney - agora com a tecnologia da Pixar - o enredo é protagonizado pela primeira vez por personagens humanos, sendo um idoso, sr. Fredricksen, aparentemente rabugento, e um garoto um tanto agitado, Russel.
O que mais me surpreendeu nesta animação foi o fato de ser uma história com complexos e conflitos de adultos, traduzidos numa linguagem infantil, destinada ao seu público alvo, as crianças, e sem perder a magia dos filmes da Disney.
Adorei ver a forma como foi mostrado o amor entre o Sr. Frericksen e a Ellen. Logo nos primeiros minutos de filme é passado um flashback emocionante sobre o casal desde que se conheceram na infância, e como foram tão unidos até os últimos dias da Ellen. Com a morte desta, o Sr. Fredricksen está decidido a realizar o sonho dela, que era conhecer as cachoeiras da América do Sul viajando com a própria casa erguida por balões. A solidão do Sr. Fredricksen é instigante; até ele arrumar um "companheiro", o Russel, que de certa forma acaba ajudando o senhor a se desprender dos valores materiais que ele tinha para com a casa e os objetos da Ellen.
Ao longo do filme são passadas várias mensagens, mas a que ficou foi desprendimento material de tudo que estava ligado ao passado, mas valorizando os sentimentos e lembranças que ficaram. Acaba sendo também uma mensagem de superação ao mostrar o novo lado do Sr. Fredricksen: generoso, amigável e bem humorado. Valores trazidos e resgatados pela sinceridade da sua amizade desenvolvida com Russel, que acabou se tornando o filho que o Sr. Fredricksen não pudera ter, e este, consequentemente, ocupou uma posição de pai para Russel, já que o seu estava sempre ocupado e ausente.

domingo, 27 de junho de 2010

Copa do Mundo.

Agora a maioria das casas têm uma bandeira do Brasil pendurada na entrada, vários carros estão decorados com bandeirinhas, e até mesmo o asfalto foi caracterizado com as cores da bandeira nacional. O verde e amarelo está tomando conta do país.
É bom saber que pelo menos UMA vez a cada quatro anos, uma nação inteira se junta para torcer e vibrar pelo mesmo time. Todos do mesmo lado: ricos, pobres, honestos, desonestos... Brasileiros. No fundo, nessa época acabamos sendo todos apenas um só.
Mas é claro que as exceções existem, e com isso, também temos muitos brasileiros torcendo contra a seleção, ou simplesmente não torcendo.
Pra mim, essa é uma data impossível de ser passada em branco. Segundo a minha mãe, desde a copa de 1994 eu estava ligada ao futebol - eu estava a poucos meses de nascer, e a cada gol que ela comemorava, ganhava um chute meu ainda mais forte.
O tempo passou, e hoje eu adoro os jogos da Copa desde os primeiros minutos quando o hino nacional é cantado. Adoro até mesmo a tensão ao ver a selação adversária se aproximando do nosso gol. Adoro vibrar a cada lance bonito, e a cada gol marcado. Adoro a maneira como o futebol une classes e gerações em prol da mesma causa.
Só é uma pena saber que, na hora de festejar todos querem participar, mas são poucos que se lembram que o mundo não é tão bonito assim como é passado nos dias da Copa. A África por exemplo, não é um país composto por vuvuzelas e estádios bonitos. Pra quem se esqueceu, a África é palco de mísera, fome e desigualdade social. Agora mesmo, enquanto escrevo esse texto, milhares de crianças africanas choram por não terem alimento. Enquanto milhares de pessoas comemoram os gols de sua seleção, outras milhares choram por não terem condições de vida. O próprio Brasil não é esse país alegre e divertido que tem sido mostrado.
Seria tão mais fácil unir o útil ao agradável. Não é necessário deixar de torcer para ajudar as causas nobres. Como também não podemos apenas torcer e esquecer da realidade que vai continuar nos cercando quando a Copa acabar. Quando o juiz apitar a última partida, tudo volta ao normal. E aí? Os dias de glória das seleções perderão lugar para as desgraças nos jornais.
Portanto, torçam sim. Sejam patriotas. Tenham orgulho de serem brasileiros. Mas que seja sempre assim... Comemorar no jogos e dizer 'eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor' e depois chorar as pitangas e reclamar do país até chegar a próxima Copa é hiprocrisia.
Assim que o Brasil foi eliminado ou campeão, aposto que em uma semana todo o símbolo de patriotismo que foi exposto durante os jogos acabará totalmente. Sendo assim, as decorações verde e amarelas perderão lugar para a paisagem cinza das cidades grandes, e para a paisagem triste dos lugares abandonados no país.

domingo, 6 de junho de 2010

Aswering the phone.

De fato, não estava nos planos se apaixonar tão intensamente. Agora, mais do que nunca, ela conseguia entender a importância das promessas e das declarações. Ela sabia que a distância ou qualquer tipo de separação a destruiria em questão de segundos. Do jeito que as coisas estavam, o mundo dela só existiria na condição de que ele estivesse ao seu lado. Pra sempre.

Com relutância, levantava-se de sua cama, tendo que deixar de lado as camadas de cobertores que antes a esquentavam; foi até a cozinha e começou a preparar um sanduíche. Enquanto isso, tinha em sua mente flashes dos últimos meses em que viveu exclusivamente ao lado dele. Não havia nada capaz de estragar sua felicidade matinal nesse momento. Quer dizer, quase nada.
Em uma fração de segundo, o telefone começou a tocar. Pensando que fosse apenas mais uma ligação qualquer de alguma empresa de telemarketing, andou tranquilamente e a passos leves até tirar o telefone do gancho e ouvir a voz do outro lado da linha:
- A Marina está? - uma voz desesperada perguntava.
- Sim, sou eu..
- Marina, aqui é o irmão do Carlos. Estou ligando pra dizer que ele.. - suas palavras foram interrompidas pelo seus próprios soluços.
- Ele o que?
- O Carlos sofreu um acidente, Marina. Ele morreu.
Fim da ligação.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Os minutos vão passando lentamente.

Tic-Tac. Os ponteiros do relógio mexiam-se devagar e até preguiçosamente, eu diria. 16h10. Os minutos pareciam horas em meio a tanto tédio. Já não havia livros para serem lidos, e nem músicas para serem (re) escutadas. Tudo que poderia ser feito como passatempo, já havia sido utilizado. Até algumas tentativas de desenhos haviam sido feitas - é claro que depois todos eles foram rasgados e colocados na primeira lata de lixo que ela avistou. Arrumou o guarda-roupa, separou peças para doação, tirou a poeira de velhos brinquedos, que agora ficavam espremidos em uma caixa de papelão na parte mais alta do guarda-roupa; lavou as louças acumuladas, jogou fora as comidas vencidas, apontou alguns lápis de cor gastos... Tic-Tac. 17h10.
Ela pensava em milhares de atividades diferentes, forçava seu cérebro a usar a criatividade e, se possível, criar novas atividades. Tudo para não ficar parada, imóvel.
A verdade é que ela tinha medo. Medo de que quando ela ficasse sem absolutamente nada pra fazer, seu cérebro rastreasse e trouxesse de volta várias lembranças que ela lutava pra reprimir. Lembranças que, aliás, praticamente andavam de mãos dadas com ela nos momentos em que ele não estava por perto para preencher o vazio que ela tanto sentia.
Talvez as horas demorassem tanto pra passar, porque ELA queria que o tempo passasse rápido o suficiente para poder vê-lo novamente e esquecer que a distância parcialmente existe. Talvez ela reprimisse as lembranças com medo de deixar a saudade insuportável demais.
Mas afinal, por que a saudade havia de bater tão rápido?

O risco da palavra.

Mais de um ano de blog, e até agora nenhuma explicação sobre o porquê do título... Bom, o fato é que eu estava ouvindo uma música, em que as únicas duas frases presentes na melodia inteira eram: "A consistência do silêncio anula o RISCO DA PALAVRA, algumas coisas não precisam ser ditas para serem entendidas." e esse tal de 'risco da palavra' ficou na minha cabeça por um bom tempo. Até eu entender o que o autor queria dizer com isso.
Por fim, cheguei à conclusão de que para haver comunicação entre duas pessoas, quase 90% do tempo necessitamos de palavras para nos expressar. E mesmo quando não estamos utilizando-as, seja gesticulando ou fazendo mímicas, também há palavras que explicam e nomeiam essas ações. Confuso?
A palavra pode vir de forma escrita, através de letras e significados. Ou pode vir nos discursos orais, através de conversas, da fala e etc.
Talvez a palavra seja a chave de nossos problemas. Exemplificando: quando algo nos incomoda, devemos falar sobre isso com quem causou o incomodo para resolvermos a situação... E com isso, corremos um risco. Pode ser que a pessoa não te entenda, pode ser que ela não concorde e use outras palavras para argumentar com você...
A partir do momento de que necessitamos das palavras para nos comunicar, apesar delas serem um benefício e uma facilidade, sempre corremos riscos enquanto as usamos. Ou alguém nunca falou, falou, falou e falou até demais e só depois foi perceber que era melhor ter permanecido em silêncio?

domingo, 11 de abril de 2010

Feelings on a letter.

Hey,
Before you start to ask yourself what the hell I'm doing, I can tell you that this is just another way to show my feelings about you. I know you must be with another girl right now, and maybe you won't care about anything that I write in this letter; but I HAVE to do this. I know that I have to.
I'm really lost. I've never felt this way before. It's the first time in my life that I can't imagine what will happen in the next day. It's the first time that I can't feel my heart actually beating; I feel that he's just doing his job to make me alive, but he doesn’t get ANY emotion anymore. I mean... I can't get any emotion. All I can feel is this horrible and never ending pain.
I remember when you held my hands and told me that you'd love me forever; and you promise you'd never left me. I thought that promises and words could mean something to you, but now I can see that was I wrong.
When you showed up, everything started to make sense in my life. My heart told me I was doing the right thing when I decided to gave you a chance. So, I loved you ALL days we stayed together in that year. I loved you more than everything that I had until that moment. I loved you with all my forces and all my heart. You were the only reason to keep me smiling every single day. I remember all nights that we had together. I remember the gifts that you gave to me; the surprises; the talks... I remember that wonderful sensation that I used to have every time you held me. I remember that I could feel that I was being protected. Your kisses were the best contact that I've ever had with another person.
I can't understand WHY you left me. I mean, I had my mistakes and so had you; but we learned how to forgive. Actually, that's one of love's rules: you have to know how to forgive someone, when this person love means everything to you.
Talking about 'learn'... You taught me so many things; I guess YOU taught me what love is. How do you fell when you're in love.. You taught me how to live my own life. And thanks for that.
Nowadays, I just know that I miss you SO much. You're in everywhere I look; every place, every song; every word.. EVERYTHING in this city reminds of you. It's like a ghost that never leaves me. And sometimes, I fell save, 'cause at least I can have you in my thoughts, and nobody can take this from me.
I hope you're doing fine. Cause I'm trying to. I hope you find someone to love, but I swear, you'll never find someone who'll love you more than I did, and more than I do.
You'll always be a part of my life. If live it's a book, you are a no turning page. You're the most important chapter of my drama.
Well, I don't know what else to say, but to finish... don't forget: I LOVE YOU, BABY. And I severely wait for the day that you'll come back to me.

With love,
x.

domingo, 4 de abril de 2010

An empty story. (Or just another tale)

A chuva já não caía na minha janela. Agora todos os dias tinham a mesma cara de fim de tarde. Sem sol, sem lua. Era uma realidade monocromática e entediante. Eu queria ter forças para continuar lutando, para acreditar que ainda havia esperanças para mim. Mas o fato é que a cada dia, eu me sentia mais fraca, e menos viva.
Nos raros dias em que a chuva resolveu dar a graça e cair de forma tranqüila e quase silenciosa, os inocentes pingos se confundiram com as minhas dolorosas lágrimas.
As lembranças me invadiam dura e friamente, causando-me ansiedade e por muitas vezes, desespero. Cada lembrança que vinha a tona era uma facada a mais no meu peito machucado. Eu me sentia afundando cada vez mais em um buraco muito fundo, sem conseguir me erguer, perdendo o equilíbrio, as forças, a luz e os sentidos. Eu poderia chamar esse buraco de passado.
Sempre me achei uma pessoa forte, do tipo que não gosta de depender das outras pra absolutamente nada. Bem, eu era assim. Mas meu ponto fraco estava no amor. Qualquer coisa relacionada aos “assuntos do coração” fazia com que eu perdesse meu eixo e, principalmente as palavras.
Às vezes eu queria muito acreditar que essa realidade sem ele, era na verdade um grande e monstruoso pesadelo. E que bastaria o sol entrar pela janela do meu quarto e meu corpo despertar, para que tudo voltasse ao normal e eu percebesse que havia sido apenas uma noite (extremamente) mal dormida. Mas infelizmente, eu deveria manter meus pés no chão – ato difícil de acontecer ultimamente, já que, desnorteada e desorientada como eu estava, seria bem difícil encontrar meu chão. Fixar-me novamente.
Nunca pensei que a saudade pudesse doer tanto; nunca imaginei que a saudade pudesse comprimir meu coração e fazer lágrimas botarem; nunca pensei que as lembranças seriam um dia, minha única forma de continuar vivendo aqueles momentos.