Segunda parte.
O sol começava a entrar pelas frestas abertas da janela do meu quarto. Eu queria me levantar e fechar a cortina, mas meu corpo inteiro doía. Não era capaz de esticar nem os dedos do meu pé; parecia que alguém havia me amarrado na linha do trem e que ele havia passado por cima de mim com toda a carga e velocidade possíveis. Minha cabeça doía tanto que eu mal conseguia abrir meus olhos. Então não fiz mais menção de abri-los, puxei a coberta até a testa, virei pro lado e ERGH. Agora meu corpo quebrado doía duas, três vezes mais do que antes. Só alguém tão inteligente quanto eu para pensar em me virar pro lado, quando até abrir os olhos doía. Parabéns pra mim, parabéns pra mim, parabéns pra mim, fiquei repetindo em pensando até que eu cochilei novamente. Aliás, acho que cochilar é uma palavra fraca demais, já que quando eu consegui acordar, o céu lá fora estava escuro e eu conseguia ouvir as buzinas dos carros e o acelerar das motos. Provavelmente, as pessoas estavam começando a sair de suas casas agora, para mais uma grande night na grande Floripa.
Agora meu corpo já não doía tanto. Sentei-me na cama, joguei as cobertas pro lado e me espreguicei. Meus olhos encontraram o relógio no criado-mudo que marcava 22:22. Coincidência? Eu ainda teria tempo de fazer um ‘make-a-wish’. Pensei, pensei, pensei e ‘done’. Levantei e quando dei meu primeiro passo, ERGH, senti meu corpo todo dolorido de novo. Depois de tomar tanta chuva na véspera, eu havia prometido a mim mesma que nunca mais sairia de casa sem um guarda-chuva.
Parecendo uma velha dependente de bengalas, andando sem bengalas, eu consegui chegar até a sala. Sentei no sofá e por pouco não desabei de novo. Só não o fiz porque o barulho que vinha do meu estômago era alto demais e com certeza atrapalharia meu sono. De novo me esforcei para ficar de pé, e fui até a cozinha. Abri a geladeira e logo percebi que eu só tinha uma garrafa de água quase vazia, um pacote de bolachas recheadas pela metade e uma garrafa de refrigerante que provavelmente já não tinha gás nenhum. Bufando de raiva, comecei a revirar a cozinha até que achei um pacote de miojo. Não era exatamente o que eu esperava comer agora, mas pelo menos, era melhor do que ter que sair de casa e ir fazer compras. Só a idéia já fazia meus músculos latejarem bruscamente. Assim que o macarrão instantâneo ficou pronto, coloquei meu prato em cima de uma almofada, sentei no sofá e comecei a devorar tudo; o gosto não estava dos melhores, afinal minha pressa foi tão grande que deixou a comida semi crua, mas a fome era tão grande que eu nem me importava. Não fiz as contas, mas aparentemente em três minutos eu acabei com a panela inteira. Deixei o prato de lado e liguei a TV.
Fiquei mudando os canais até achar um filme que parecia ser legal. Fui assistindo e me distraindo até que as cenas começaram a virar um romance meloso e piegas, e que, inevitavelmente me fez lembrar do que estava tentando reprimir durante essas 24 horas de sono profundo.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Olimpíadas Rio-2016
Vamos lá, tratar de um assunto que tem sido muito comentado e foi parar no Trending Topics milhares de vezes - não que isso tenha muito fundamento, mas enfim.
Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, representando o Brasil e sediando os jogos olímpicos de 2016. E assim como a notícia de que vamos sediar a copa do mundo em 2014, eu fico feliz como cidadã brasileira, mas não que eu seja completamente patriota e apaixonada pela nação. Mas ao mesmo tempo que eu vejo essas notícias contente pelo nosso Brasil, eu penso em tudo que a nossa população passa diariamente e pesando os argumentos, concluo que temos muito mais com que nos preocupar.
Explicando, em um país onde 10% da população é anafalbeta e 30% são considerados alfabetizados por saberem no mínimo assinarem seus nomes, um país onde os investimentos na educação quase não são percebidos, onde o Governo mostra não se interessar pelo futuro, já que ele se encontra principalmente pela educação, e aqui, ela está cada vez mais decante, isso pra não dizer que está esquecida.
Um país onde falta muito pela saúde da população, sendo que os postos públicos não contam com profissionais de qualidade (isso quando TEM profissionais trabalhando por lá.) e os pacientes são obrigados a enfrentarem horas em filas para serem - ou não - atendidos, e mesmo assim, a consulta deixa a desejar. Muitos são os que morrem nas filas ou vêem seus casos se agravarem devido a cansável espera.
Um país onde a violência, tráfico de drogas, assassinatos, crimes, roubos são mostrados diariamente nos telejornais. Que ainda não consegue ver o fim de luta contra a violência nas ruas, já que até mesmo os policias de hoje em dia estão muitas vezes agregados aos próprios infratores da lei.
Com dados básicos e de conhecimento simples, é possível perceber - ao menos do meu ponto de vista - que enquanto temos tantas batalhas pela frente deveríamos nos preocupar primeiramente em vencê-las, e depois em sediar eventos de grande porte, tais como Copa do Mundo (2014) e Jogos Olímpicos (2016).
É certo que o Brasil está em um bom momento de estabilidade econômica e que isso trouxe vantagens para que fôssemos escolhidos, mas então, se estamos tão estáveis economicamente, por que não revertemos todo esse 'sucesso econômico' para os nossos compatriotas que aqui não tem onde morar, não tem o que comer, não tem acesso à educação, tampouco à saúde e empregos? Uhul Brasil. Olimpíadas nos aguardam, heim. Qual é ¬¬
(ps.: Sei de alguém que vai querer me matar quando ler isso, né dona Anita Yumi. HAHAHA. Não fique brava comigo :x)
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Triste setembro?
Nunca entendi o porquê dessa abordagem em volta do mês de setembro. Há várias canções falando dele, como por exemplo, Wake Me Up When September Ends do Green Day, em que Billie lamenta a perda do pai, que morreu justamente nesse mês. Em A Lonely September do Plain White T's, o próprio título da música justifica seu conteúdo, que retrata a solidão de um homem, sem a mulher que ele ama, durante o mês de Setembro. Mariana's Trench também tem uma música citando esse mês, com o título de September onde também não fala de nenhuma grande comemoração no mês. E tem também Setembro da nacional Hevo84, que retrata solidão e ausência em um contexto de desilusão amorosa.
Pra mim sempre foi muito estranho ouvir essas canções depressivas falando de um mês que pra mim é o mais esperado do ano. Sempre foi. Afinal, é o mês do meu aniversário; e nele ocorre a troca de estações entre o delicioso inverno - tudo bem que o inverno brasileiro não tem nada de muito gostoso, e o de Ribeirão Preto então, nem se fala - e a colorida e já quente primavera.
E agora eu vejo mais um mês de Setembro se dissipar no nosso calendário; Em 2009 pra mim, esse mês representou a expectativa de completar 15 anos, veio cheio de provas e por isso exigiu muita dedicação da minha parte, mas também veio cheio de amizades. Quer dizer, várias amizades se firmando e se tornando mais especiais.
Mas que agora venha Outubro, e que venha com tudo. Só de pensar que em poucos dias, 91 pra ser exata, já estaremos trocando de calendário eu já fico atônita.
Concluindo, não, setembro não veio pra ser um mês triste. Pelo menos nunca foi assim comigo e não há de ser. Eu espero.
Pra mim sempre foi muito estranho ouvir essas canções depressivas falando de um mês que pra mim é o mais esperado do ano. Sempre foi. Afinal, é o mês do meu aniversário; e nele ocorre a troca de estações entre o delicioso inverno - tudo bem que o inverno brasileiro não tem nada de muito gostoso, e o de Ribeirão Preto então, nem se fala - e a colorida e já quente primavera.
E agora eu vejo mais um mês de Setembro se dissipar no nosso calendário; Em 2009 pra mim, esse mês representou a expectativa de completar 15 anos, veio cheio de provas e por isso exigiu muita dedicação da minha parte, mas também veio cheio de amizades. Quer dizer, várias amizades se firmando e se tornando mais especiais.
Mas que agora venha Outubro, e que venha com tudo. Só de pensar que em poucos dias, 91 pra ser exata, já estaremos trocando de calendário eu já fico atônita.
Concluindo, não, setembro não veio pra ser um mês triste. Pelo menos nunca foi assim comigo e não há de ser. Eu espero.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Por dias um pouco mais verdes.

Eu ainda lembro de uma manhã, em meados de 2004, quando eu estava assistindo ao TVZ como de costume antes de ir para a aula. E de repente, uma banda chamou minha atenção. Era um trio, na verdade. Formado por um vocalista que aparentemente usava lápis nos olhos, um cinto de rebite combinando com o justo jeans preto e uma gravatinha vermelha por cima da camisa. Um baixista de regata preta, munhequeiras, cabelo um tanto quanto despenteado e muita atitude. O baterista, um cara baixinho e gordinho também usando uma gravata por cima da camisa, mas a sua era branca, cabelo penteado pra cima e uma agitação fora do comum. Logo nos primeiros minutos do tal clipe ele é avistado dando voltas na bateria e tocando alguns pratos enquanto isso. Hilário.
Nos primeiros instantes eu fiquei apenas observando e pensando "Qual é a desses caras?", afinal, para uma criança de 10 anos aquilo era mesmo surpreendente. Num contexto onde o rock parecia estar se degradando, surgem novamente na mídia esses três ícones cantando sobre a alienação do povo norte-americano.
Logo depois eu descobri que o nome dessa banda era Green Day, e seus integrantes, respectivamete citados, Billie Joe Armstrong, Mark Durt e Tré Cool.
Com o tempo eu fui sendo conquistada por eles de um jeito que nenhuma banda havia feito comigo antes. Comecei a me interessar por suas vidas, sempre atrás de informações novas, e eles começaram a me influenciar e me fazer ver as coisas de um jeito totalmente novo. Enquanto a maioria das minhas amigas gostavam de artistas como Rouge, Kelly Key e Britney Spears, eu e mais uma amiga éramos vistas como loucas por gostarmos de uma banda como Green Day. E essa paixão não foi exatamente apoiada pelas mães, já que mãe nenhuma no mundo gostaria de ver suas filhas babando ovo por uma banda com nome cujo significado 'Dia Verde' simboliza um dia com maconha rolando solta entre os integrantes, e cantando versos como "Cigarettes and ramen and a little bag of dope. I am the son of a bitch and Edgar Allan Poe" (Trecho de St.Jimmy).
Mas é fato que o Green Day voltou a seus dias de glória num momento em que surgiam as bandas de rock melódico, vulgo emo hoje em dia, em que as letras vinham carregadas de sentimentos e emoções profundas... Enquanto o trio old preenchia seus versos com revoltas políticas, indignações, pautas sobre a sociedade, críticas, algumas emoções e muitos palavrões. Quando lançaram o álbum American Idiot, não sobrou muito espaço para as outras modinhas do momento, eles levaram vários VMAs, Grammy, músicas e clipes mais tocados, capas de revistas, matérias pra tudo quanto é lado... Só dava eles.
E por algum tempo, eles foram as razões dos meus sorrisos. Não digo que esse amor morreu com o tempo, ou que se degradou. Eu apenas o parei de alimentar e fui deixando esquecido. Mas nunca morto. Jamais. E eles sempre voltam pra mim; de uma forma ou de outra, esse amor sempre tem um recomeço e a cada nova vez ouvir as músicas acaba se tornando mais prezerozo.
Agora com CD novo e muitos projetos rolando solto, os quase quarentões do Green Day vão provar mais uma vez a que vieram. E enquanto isso, eu continuo me surpreendendo com a capacidade para as composições.
Há 4 anos fazendo a minha cabeça e quem sabe por quanto tempo mais. That's it.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Sweet Fifteen.

É hoje, quinze aninhos de existência completos.
E a sensação por enquanto é normal. Eu sempre achei muito engraçado quando diziam que aos quinze anos a menina vira mocinha, outros dizem que vira mulher... Mas pra mim, é uma idade como qualquer outra, talvez um passo a mais pra maturidade e independência, mas isso vai de cada um. Tem tanta menina de quinze com mentalidade de onze anos enquanto outras tem mentalidade mais avançada, whatever.
Outra coisa que chama muito a atenção nos quinze anos, são as exuberantes e luxuosas festas que pra mim nunca passaram de uma oportunidade pra garantir status e fazer uma festa pras pessoas aproveitarem por você; tudo bem que há casos em que as debutantes realmente comemoraram e realizam o grande sonho da sua vida, mas pra mim sempre foi mais status do qualquer outra coisa.
Nunca fiz questão de que meus pais fizessem isso por mim. A única coisa que eu queria deles, e na verdade de todos próximos à mim, era que se lembrassem dessa data e comemorassem mesmo que da forma mais simples, mas que fosse sincera.
E a minha comemoração acabou chegando antecipadamente. No mês de Julho pra ser mais precisa. E o presente/comemoração veio em forma de uma viagem sonhada e idealizada durante anos e mais anos. Um sonho que cresceu e amadureceu comigo desde pequena: o de ir pra Disney.
Então a minha comemoração acabou durando duas semanas, com direito a montanhas russas cheias de adrenalina, parques com as atrações mais inusitadas, compras, compras e mais compras, shows lindos e emocionantes - que Cirque du Soleil, Fantasmic, Shamu's Show, a parada e as queimas de fogos se incluam - e sem falar nas milhares de novas experiências adquiridas e todas as emoções vividas.
Quinze anos em quinze dias, é. E as memórias dessa viagem eu vou levar comigo pro resto da vida, disso eu tenho certeza.
"Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou." - William Shakespeare.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Sem título, por enquanto.
Parte 1 - O Adeus
“Já estou mais do que cansada disso tudo” – foram as últimas palavras que saíram da minha boca antes de deixar aquele apartamento. Peguei minha bolsa de qualquer jeito e bati a velha porta envernizada do apartamento dele. Dei uma última olhada no corredor, na iluminação fraca e amarelada que ali existia, no piso de carpete gasto, nos quadrinhos de animais fixados à parede branca e suja, e, enfim, encarei a porta do elevador. Respirei fundo, tentando me livrar das inúmeras gotinhas salgadas que transbordavam dos meus olhos e queimavam meu rosto até chegar ao queixo. Respirei fundo mais uma vez e fiz o maior esforço possível para esticar meus dedos até o botão do elevador, como se houvesse uma corrente me segurando e me impedindo de executar tal ação. Mas eu estava determinada a ir embora daquele lugar o mais rápido possível, então, assim que reuni todas as minhas forças, chamei o elevador e desci por ele em um instante.
Ao chegar à recepção do prédio, fiz a mesma coisa que havia feito no corredor: dei uma última olhada geral em tudo, quem sabe quando eu voltaria a ver aquele lugar de novo? Muito provavelmente, nunca. A não ser que o destino fosse óbvio demais e me fizesse ter uma amiga que resida ali, ou quem sabe meu apartamento pudesse ser inundado e eu tivesse que comprar outro naquele prédio, mas, teorias babacas sobre o destino à parte, eu reavaliei tudo. Olhei pro lustre pendurado no hall, nos sofazinhos pretos de couro onde tantas vezes nós nos sentamos juntos. Olhei pra mesinha de centro mogno que tinha vários vasinhos de flores artificiais coloridas, e então, quando olhei pra parede oposta, levei um susto. Eu estava encarando a mim mesma, na verdade, eu encarava meu reflexo no espelho arredondado com uma expressão ao mesmo tempo confusa e divertida. Percebi que meus olhos estavam inchados, assim como minhas bochechas e meus lábios, que agora se encontravam avermelhados. Eu nunca tinha me visto dessa forma, e mesmo sentindo a dor esmagadora do que acabara de acontecer, eu consegui sorrir. Sorri pra mim mesma e foi naquele momento que eu percebi que eu deveria me amar acima de qualquer outra coisa. Deixei meu reflexo de lado e fui caminhando para fora do prédio. Me sentindo um pouco mais aliviada.
Dei um último “tchau” ao porteiro, o que na verdade seria um adeus, e quando olhei pro céu me dei conta de que o tempo estava totalmente fechado, escuro e nebuloso. “Pronto, era só o que me faltava”, pensei. Eu, ali, que tinha acabado de destruir uma parte de mim, estava me sentindo agora uma criança recém nascida e desprotegida, precisando de braços protetores para me acolher. Mas eu não tinha saída, eu deveria começar a correr pra casa antes que a chuva me pegasse e eu tivesse que me preocupar com uma gripe. Respirei fundo, contei até três e saí correndo pelas calçadas, me sentindo a maior maratonista que o mundo já viu. Está bem, sem piadas. Correr não adiantou nada mesmo, só me deixou ainda mais cansada.
“Já estou mais do que cansada disso tudo” – foram as últimas palavras que saíram da minha boca antes de deixar aquele apartamento. Peguei minha bolsa de qualquer jeito e bati a velha porta envernizada do apartamento dele. Dei uma última olhada no corredor, na iluminação fraca e amarelada que ali existia, no piso de carpete gasto, nos quadrinhos de animais fixados à parede branca e suja, e, enfim, encarei a porta do elevador. Respirei fundo, tentando me livrar das inúmeras gotinhas salgadas que transbordavam dos meus olhos e queimavam meu rosto até chegar ao queixo. Respirei fundo mais uma vez e fiz o maior esforço possível para esticar meus dedos até o botão do elevador, como se houvesse uma corrente me segurando e me impedindo de executar tal ação. Mas eu estava determinada a ir embora daquele lugar o mais rápido possível, então, assim que reuni todas as minhas forças, chamei o elevador e desci por ele em um instante.
Ao chegar à recepção do prédio, fiz a mesma coisa que havia feito no corredor: dei uma última olhada geral em tudo, quem sabe quando eu voltaria a ver aquele lugar de novo? Muito provavelmente, nunca. A não ser que o destino fosse óbvio demais e me fizesse ter uma amiga que resida ali, ou quem sabe meu apartamento pudesse ser inundado e eu tivesse que comprar outro naquele prédio, mas, teorias babacas sobre o destino à parte, eu reavaliei tudo. Olhei pro lustre pendurado no hall, nos sofazinhos pretos de couro onde tantas vezes nós nos sentamos juntos. Olhei pra mesinha de centro mogno que tinha vários vasinhos de flores artificiais coloridas, e então, quando olhei pra parede oposta, levei um susto. Eu estava encarando a mim mesma, na verdade, eu encarava meu reflexo no espelho arredondado com uma expressão ao mesmo tempo confusa e divertida. Percebi que meus olhos estavam inchados, assim como minhas bochechas e meus lábios, que agora se encontravam avermelhados. Eu nunca tinha me visto dessa forma, e mesmo sentindo a dor esmagadora do que acabara de acontecer, eu consegui sorrir. Sorri pra mim mesma e foi naquele momento que eu percebi que eu deveria me amar acima de qualquer outra coisa. Deixei meu reflexo de lado e fui caminhando para fora do prédio. Me sentindo um pouco mais aliviada.
Dei um último “tchau” ao porteiro, o que na verdade seria um adeus, e quando olhei pro céu me dei conta de que o tempo estava totalmente fechado, escuro e nebuloso. “Pronto, era só o que me faltava”, pensei. Eu, ali, que tinha acabado de destruir uma parte de mim, estava me sentindo agora uma criança recém nascida e desprotegida, precisando de braços protetores para me acolher. Mas eu não tinha saída, eu deveria começar a correr pra casa antes que a chuva me pegasse e eu tivesse que me preocupar com uma gripe. Respirei fundo, contei até três e saí correndo pelas calçadas, me sentindo a maior maratonista que o mundo já viu. Está bem, sem piadas. Correr não adiantou nada mesmo, só me deixou ainda mais cansada.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Nostalgia.
Ainda me lembro dos meus antigos dias de certa forma rotineiros e motivados por uma paixão que hoje já não faz sentido aos meus olhos. Lembro do vício pela qual fui dominada, e de todos os esforços que fiz para mantê-lo (mantê-los, na verdade). Chega até a ser estranho ver como tudo passou tão rápido, todo aquele amor eterno dedicado aos cinco, aquela admiração sem igual, que com míseros 2 anos... sumiu. Por um lado é triste ver que simplesmente acabou, e que certamente não voltará nunca a ser como foi um dia. Mas, por outro lado é bom ver que foi apenas um vício de adolescente - não que eu esteja me sentindo uma adulta agora, longe disso, haha. - mas me sinto ao menos, mais madura. O NX me marcou demais, cada um dos integrantes, tanto como parte da banda, como pelo caráter de cada um deles. E por um bom tempo eles representaram uma grande parte de mim, e ajudaram a construir quem eu sou hoje. Sei que sinto saudades imensas só de lembrar da felicidade que eu sentia quando eu me aproximava mais deles. Lembro de como meu coração quase saltou pela minha garganta quando eu fui ao meu primeiro show deles; lembro de como eu me sentia bem quando via que eles estavam bem, e subindo na carreira; lembro do impagável sorriso que estampou meu rosto por semanas depois de ter conseguido falar com eles e dar um mísero *oi,tudobom,beijo,abraço* em cada um; lembro também de quando chorei, chorei e chorei de raiva e decepção quando uma tentativa de falar com eles fracassou. Lembro de como me sentia satisfeita em trabalhar assalariadamente (ÓBVIO!) em um fã clube destinado à eles, e de como era gratificante quando esse trabalho era reconhecido conforme ia crescendo.
Mas de uns tempos pra cá, eu comecei a perceber certas coisas que antes pareciam que eu não queria enxergar, porque de fato, elas sempre estiveram ali. Comecei a perceber quando eles eram sinceros ao falar com os fãs e quando faziam porque achavam que não era mais do que a obrigação, quando simplesmente faziam por fazer, sem a menor vontade para aquilo, enquanto os fãs se empoleiravam por horas em filas, embaixo de sol quente ou até mesmo chuva forte, alguns viajavam quilômetros e mais quilômetros, só por um pouquinho deles. Comecei a perceber quando eles empregavam exatamente as mesmas frases clichês e de efeito quando precisavam do público para algum fim; percebi a aproximação rápida que eles faziam nas épocas de premiações e festivais. E assim, comecei a ver a falsidade em algumas atitudes e as decepções começaram a crescer. Foi quando eu deixei de me alienar e comecei a perceber as coisas minuciosamente.
Hoje, vejo que é inscontestável que eles só chegaram à esse tremendo sucesso graças ao grande - ou enorme - empurrão dado pelos fãs; e que muitos dos citados agiram como se os meninos fossem deuses ou coisas de outro mundo, os colocaram em um pedestal tão alto que ninguém era capaz de fazê-los descer. A mídia, à princípio não deu a mínima pra eles, mas assim que perceberam o estouro que poderiam causar, começaram a usá-los como os 'rockeiros do bem' sempre que precisavam subir a audiência. Eles mesmos não conseguiram administrar o sucesso da maneira certa (até acho que foram longe demais, afinal, são apenas moleques e já apresentam comportamento bem diferente do que os rockeiros de antigamente apresentavam, não dá pra negar.) A gravadora e o queridíssimo Rick Bonadio transformaram a cabeça deles, e consequentemente, o som deles em algo to-tal-men-te comercial. Já não se vê o nx das letras profundas e originais de antigamente, agora o que se pode ver são os refrões clichês e chicletes e as mesmas melodias calmas - algumas até plagiadas, OE -. Eles já não conseguem surpreender e estão caindo na mesmisse, o que eu acho tedioso. Mas, sou apenas alguém tentando, isso mesmo, tentando analisar as mudanças -bruscas - que houveram no som deles, já que eu não tenho formação musical alguma.
Resumindo, eu precisava desabafar sobre esse assunto porque ultimamente o sentimento de melancolia e nostalgia tem me contagiado bastante em relação à isso :B
Mas de uns tempos pra cá, eu comecei a perceber certas coisas que antes pareciam que eu não queria enxergar, porque de fato, elas sempre estiveram ali. Comecei a perceber quando eles eram sinceros ao falar com os fãs e quando faziam porque achavam que não era mais do que a obrigação, quando simplesmente faziam por fazer, sem a menor vontade para aquilo, enquanto os fãs se empoleiravam por horas em filas, embaixo de sol quente ou até mesmo chuva forte, alguns viajavam quilômetros e mais quilômetros, só por um pouquinho deles. Comecei a perceber quando eles empregavam exatamente as mesmas frases clichês e de efeito quando precisavam do público para algum fim; percebi a aproximação rápida que eles faziam nas épocas de premiações e festivais. E assim, comecei a ver a falsidade em algumas atitudes e as decepções começaram a crescer. Foi quando eu deixei de me alienar e comecei a perceber as coisas minuciosamente.
Hoje, vejo que é inscontestável que eles só chegaram à esse tremendo sucesso graças ao grande - ou enorme - empurrão dado pelos fãs; e que muitos dos citados agiram como se os meninos fossem deuses ou coisas de outro mundo, os colocaram em um pedestal tão alto que ninguém era capaz de fazê-los descer. A mídia, à princípio não deu a mínima pra eles, mas assim que perceberam o estouro que poderiam causar, começaram a usá-los como os 'rockeiros do bem' sempre que precisavam subir a audiência. Eles mesmos não conseguiram administrar o sucesso da maneira certa (até acho que foram longe demais, afinal, são apenas moleques e já apresentam comportamento bem diferente do que os rockeiros de antigamente apresentavam, não dá pra negar.) A gravadora e o queridíssimo Rick Bonadio transformaram a cabeça deles, e consequentemente, o som deles em algo to-tal-men-te comercial. Já não se vê o nx das letras profundas e originais de antigamente, agora o que se pode ver são os refrões clichês e chicletes e as mesmas melodias calmas - algumas até plagiadas, OE -. Eles já não conseguem surpreender e estão caindo na mesmisse, o que eu acho tedioso. Mas, sou apenas alguém tentando, isso mesmo, tentando analisar as mudanças -bruscas - que houveram no som deles, já que eu não tenho formação musical alguma.
Resumindo, eu precisava desabafar sobre esse assunto porque ultimamente o sentimento de melancolia e nostalgia tem me contagiado bastante em relação à isso :B
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